Haicai XIV
Alta ia a travessia
Alteridades
à vista
Pra quem gosta de Direito, mas não apenas.
Alta ia a travessia
Alteridades
à vista
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos
... sei de todas elas, estas
bactérias da inconsciência
febril, doente
letras vomitando
abro-me as veias
para o conhecimento
meu sangue espesso
rubro vertendo
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos
A gravidade
empurra
a cidade
Empurra
a cidade
parada
Grave
a cidade
parada
A gravidade
pára
a cidade
A cidade
o cimento
e a vontade
Seis
horas
da tarde
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos
oculto
deveras
pouco
devera
de ser
olvido
tanto
exposto
quanto
perdido
pudera
existo
o pulso
sempre
acelera
resisto
somente
isto
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Seção: poemas cometidos
tem tempo
nunca chovia
pálida página
esta que me vigia
enquanto tem
não esfria
de dia
o sol na palavra
nem dorme
quando se deita
nem tarda
quando se cria
o que não
seria
silêncio
diria o vento
assovia
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Seção: poemas cometidos
Sigo a força grave da idéia
Se logo, feito isso
Antes, preciso de mais
Um precipício?
Uma corda?
Umas férias?
Ou
Um princípio
do tipo
indutivo?
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos
A verdade
a ver
navios
pavio
curto
carta
bomba
surto
arame
farpado
quase rompe
os pulsos,
coitado
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Seção: poemas cometidos
d
e
s
v
i
a
n
a
l
i
n
h
a
q
u
e
a
p
e
n
a
f
i
a
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Seção: poemas cometidos
Chove pelos cotovelos
nas esquinas inexistentes
tesourinhas, eixos
tudo submerso
ruína indecente
o Congresso Nacional
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Seção: poemas cometidos
palavra palavra pa
lavra palavra
pra cá pra lá
(precaria)
mente lavrada
levada, ouvida
vice versada
cada pá carregada
despeso
palavra sobra, soçobra,
palavra demora
espera espera
nadanadanada
palavra
voga voga voga
Agora!
palavra lida
palavra alada
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Seção: poemas cometidos
ácida cidade
do acidente
assassino
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Seção: poemas cometidos
não esperar o outono
neste poema de outubro
eu sazono
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Seção: poemas cometidos
o dia
no comecinho
pede um cafezinho
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Seção: poemas cometidos
metade cidade metade paisagem metade jardim metade vermelha
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Seção: poemas cometidos
vive de maravilhas
livre de quilhas
cronológicas
vigia das horas sonoras
deitado, outras
ou eras]
na cabeceira
espera
a leitura
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Seção: poemas cometidos
fala
farfalha
falha
fraca
fala
farfalha...
... onde a pedra encalha
medra a melhor
navalha
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Seção: poemas cometidos
não as paredes
a cidade me segreda
multidão
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Seção: poemas cometidos
Sumo
mudo
escondido
habito
sombras
contra
tanto
alarido
publico
sustos
quando
preciso
demais:
estes
postais
digitais
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos
Caso o caos
aconteça
- acaso suceda -
não crie caso
mereça
em caso de caos
o sucesso
Se vem por acaso
vem o caos
vem a causa
Uma pausa
O ocaso
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Mauro Noleto
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Seção: poemas cometidos