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segunda-feira, 26 de fevereiro de 2007

Jararaca no cabresto

As eleições puseram-me em contato direto com a parte mais necessitada da população e em mais de uma morada pobre tive uma lição de coisas tão pungentes e tão sugestiva dos que nada possuem (...)

Eu visitava os eleitores de casa em casa, batendo em algumas ruas a todas as portas (...) Doía ver o quanto custava a essa gente crédula a sua devoção política (...) Uma vez, por exemplo, entrei na casa de um operário para pedir-lhe voto.

Chamava-se jararaca, mas só tinha de terrível o nome.

Estava pronto a votar em mim, tinha simpatia pela causa, disse-me ele; mas votando, era demitido, perdia o pão da família; tinha recebido a “chapa de caixão” e se ela não aparecesse na urna, sua sorte estava liquidada no mesmo instante.

-No entanto, estou pronto a votar pelo senhor, se o senhor me trouxer um pedido do brigadeiro Foriano Peixoto. Pode vir por telegrama...E o que ele pedir, custe o que custar, eu não deixo de fazer.

- Não, não é preciso, vote como quer o Governo...Há de vir o tempo em que o senhor poderá votar em mim livremente.

Joaquim Nabuco. Apud DIAS, Maurício. A Mentira das Urnas. Rio de Janeiro: Record, 2004, pp. 80-81

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

O Cruzeiro e a Revolução de 30

A famosa revista O Cruzeiro, que fez história no Brasil, mostrava, na capa da edição de 8 de novembro de 1930, o líder da revolução de 30, Getúlio Vargas, em pose de sorridente vitória.

O site Memória Viva dedica-se a reproduzir na internet as edições da revista, entre outras contribuições para a preservação da história pátria:

“Tendo assumido o commando em chefe das forças nacionaes, sigo, hoje, com meu estado-maior, para a zona das operações. Ás gloriosas forças armadas, esteio das instituições e da dignidade nacional, ás bravas milicias estaduaes, que tantos e tão inestimaveis serviços já têm prestado á causa publica, á patriotica população civil que tão brilhantemente está correspondendo ao appello do Paiz — os aplausos e louvores de todos os que anseiam por uma patria grande, unida e forte. O exercito da victoria progride em seu avanço triumphal. Cabe aos que ficam o papel não menos apreciavel de collaborar para a normalização das actividades publicas e particulares e para a manutenção dos serviços essenciaes do Estado. Confio no concurso de todos os bons patriotas e sei que não preciso indicar qual seja o dever de cada um. Meus concidadãos, tudo pelo Brasil, tudo pela Republica !”

GETULIO VARGAS

Da ordem do Dia” nº 1 do Commando Geral das Forças Nacionaes de 11 de Outubro.


No detalhe da foto, a multidão que acompanhou a saudação de Getúlio em frente ao Palácio do Catete.

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Quem foi o Cristiano da "cristianização" originária?

Candidato à presidência da República

(...)

Nas eleições de 3 de outubro de 1950, a chapa Cristiano Machado-Altino Arantes (PSD-PR) concorreu com as de Eduardo Gomes-Odilon Braga (UDN) e Getúlio Vargas-Café Filho (PTB-PSP), entre as mais importantes. Vargas saiu vitorioso, contando, inclusive, com votos de vários redutos do PSD. O refluxo do setor getulista desse partido em relação à candidatura de Cristiano Machado e a transferência de seus votos para Vargas configuraram um processo de esvaziamento eleitoral que ficou conhecido no jargão político como "cristianização". Cristiano Machado recebeu 1.697.193 votos, e Altino Arantes 1.649.309.

Em 1953, foi nomeado embaixador do Brasil junto à Santa Sé, substituindo Frederico Castelo Branco Clark. Tendo entregue suas credenciais em outubro, faleceu em sua residência oficial em Roma no dia 26 de dezembro, vítima de enfarte.

Como empresário, havia iniciado suas atividades em 1940, mantendo relações com o grupo Itaú, de São Paulo. Em março de 1946, foi eleito para a diretoria da Companhia de Cimento Portland Itaú. Como jornalista, colaborou com o jornal A Noite, do Rio de Janeiro (então Distrito Federal), logo após a Revolução de 1930, sob o pseudônimo de Kerenski.

Seu arquivo pessoal encontra-se depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (Cpdoc) da Fundação Getulio Vargas.

Helena Faria

PS. Cristiano Monteiro Machado nasceu em Sabará (MG) no dia 5 de novembro de 1893, filho do coronel, fazendeiro e empresário Virgílio Machado e de Marieta Monteiro Machado, neta de Lucas Antônio Monteiro de Castro, barão de Congonhas. Um de seus irmãos, Aníbal Machado (1894-1964), tornou-se escritor conhecido.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2007

A eleição de Jk

A eleição de JK (wikipédia)

Pela aliança PSD-PTB, Juscelino foi eleito Presidente da República em outubro de 1955 com 36% dos votos — na época as eleições se realizavam em turno único. Obteve 500 mil votos a mais que o candidato da UDN Juarez Távora e 700 mil votos a mais que o terceiro colocado, o governador de São Paulo Adhemar de Barros. A UDN tentou impugnar o resultado da eleição, sob a alegação de que Juscelino não obteve vitória por maioria absoluta. A posse de Juscelino e do vice eleito João Goulart só foi garantida com um levante militar liderado pelo ministro da Guerra, general Henrique Teixeira Lott, que em 11 de novembro de 1955 depôs o então presidente interino da República Carlos Luz, que teria tantado impedir a posse do presidente eleito.

Juscelino foi o último presidente da República a assumir o cargo no Palácio do Catete em 31 de janeiro de 1955. Em seu mandato presidencial, Juscelino lançou o Plano Nacional de Desenvolvimento, também chamado de Plano de Metas. O plano tinha 31 metas distribuídas em seis grandes grupos: energia, transportes, alimentação, indústria de base, educação e — a meta principal — Brasília. Visava estimular a diversificação e o crescimento da economia, baseado na expansão industrial e na integração dos povos de todas as regiões com a capital no centro do território brasileiro.