sábado, 8 de março de 2008

?Por qué no te calla?

"Sou padre e fui visitar um amigo que mora em Madri e também é padre. Chegando na imigração, fui pego de surpresa. Me mandaram para uma sala onde permaneci por cinco horas sem saber o que estava acontecendo ou o que iria ainda acontecer. Depois disso nos levaram para um outro lugar, com camas e banheiro, onde encontrei outros dez brasileiros. Lá fomos tratados como animais... humilhados... Neste lugar, mais dez horas de espera. Tiraram todos os meus pertences. Me deixaram sem nada e, para piorar, pegaram minha túnica e estola (roupas necessárias para celebrar a santa missa) e perguntaram se era fantasia de carnaval. Todas as minhas tentativas em dialogar foram frustradas, pois ninguém nos dava atenção... éramos ignorados o tempo todo. Apresentei toda minha documentação. Meu documento da CNBB [Conferência Nacional dos Bispos do Brasil], provando que era padre, além de passaporte, passagem de volta, dinheiro, cartão de credito. Mas nada disso valeu. Depois de ser entrevistado por policiais, resolveram mandar todos de volta para o Brasil. Mais humilhação. Fui tratado como um bandido, colocado dentro de uma viatura da polícia e me levaram para dentro do avião escoltado. Me senti o pior dos seres humanos. Quando cheguei ao Brasil, entrei em contado com o Consulado da Espanha, mas ninguém nos atende. Depois de muito tentar via telefone e e-mail, fui até o consulado --que fica na rua Bernardino de Campos, 98 no Paraíso [zona sul de São Paulo]. E para minha surpresa, nada se fala. O tratamento dado aos brasileiros aqui no consulado é o mesmo dado no aeroporto em Madri: pessoas sem educação que não nasceram para trabalhar com seres humanos e que, creio, se acham superiores."


Pe. Jeferson Mengali, brasileiro, maltratado na Espanha.

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